Sobre a Alimentação

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Sobre a Alimentação

Mensagem por Lusitana Cultura em Sex Fev 06, 2015 10:54 am

À comida



» Quem vende sardinha come galinha.

» Do prato à boca, se perde a sopa.

» O comer e o coçar vão do começar.

» O apetite nasce à mesa.

» A hora de comer é a mais pequenina.

» Com unto e pão de milho, o caldo faz bom trilho.

» O caldo é para os pobres.

» Caldo sem pão só no inferno o dão.

» Caldo de muitos é bem comido e mal mexido.

» Quem come bem um dia não passa mal todo o ano.

» Quem não se farta ao comer não se farta ao lamber.

» Quem come até se fartar cedo vem a jejuar.

» Quem come a carne que chupe os ossos.

» Quem comeu não "ouga".

» Quem arrota, bem almoça.

» Quem arrota familota, quem suspira farto está.

» Quem não é para comer também não é para trabalhar.

» Morra Marta, morra farta.

» Bem canta Marta depois de farta.

» Bem está S. Pedro em Roma, se tem que comer.

» Quem vai à boda leve que coma.

» Quem longe vai à boda no caminho a deixa toda.

» O almoço cedo cria carne e cebo. O almoço tarde, nem cebo nem carne.

» Quem em casa alheia come, janta e ceia com fome.

» Quem come à mesa alheia, mal janta e mal ceia.

» Não custa jejuar depois de bem jantar.

» Bem jejua quem mal come.
 
» Quem merendas come, merendas deve.

» Merenda comida, companhia desfeita.

» A cobertura e a merenda nunca pesaram.

» Quem se deita sem ceia, toda a noite rabeia.

» Antes sem candeia do que sem ceia.

» Comida gorda: testamento magro.

» Comida fina em corpos grossos faz mal aos ossos.

» Com papas e bolos se enganam os tolos.

» Muito come o tolo, mas mais tolo é quem lho dá.

» Ovo assado: meio ovo; ovo frito: ovo inteiro; ovo cozido: ovo e meio.

» Para os ovos frigir, temos de os partir. Não se fazem omoletas sem ovos.

» Não se fazem morcelas sem sangue.

» Quem aos trinta come assada a lebre e cozida a perdiz, não sabe o que faz nem o que diz.

» Se não queres engordar, come e bebe devagar.

» O que não mata engorda.

» Não há fome sem fartura.

» A fome é de três dias.

» A fome é negra.

» A fome é má conselheira.

» A fome não tem lei.

» Quando há fome, não há pão mal feito.

» Vale mais um farto do que dois famintos.

» Ventre em jejum não ouve nenhum.

» Barriga vazia não tem alegria.

» Enquanto está por comer, chega para todos.

» A ração não é para quem se talha: é para quem a come.

» Guardado está o bocado para quem o há-de comer.

» Comamos, bebamos e nunca ralhamos.





Ao Vinho  


» Ao teu amigo e ao teu vizinho o teu melhor pão e o melhor vinho.

» Quem tem bom vinho tem bons amigos.

» Vinho e amigo, o mais antigo.

» Vinho e medo descobrem o segredo.

» Vinho doce bebe-se como se nada fosse.

» Se queres o velho menino, dá-lhe doce e vinho.

» Quem na sopa deita vinho de velho se faz menino.

» Antes da sopa, molha-se a boca.

» Ao meio da sopa, lava-se a boca.

» Sopa acabada, boca molhada.

» Se queres andar bem disposto, bebe vinho, mas não mosto.

» Por cima de melão, vinho de tostão.

» Por cima de pêras, vinho bebas e tanto bebas que nadem as pêras.

» Ao figo água, à pêra vinho.

» Pão com olhos, queijo sem olhos e vinho que salte aos olhos.

» Nem vinho sem Cristo nascer nem laranja sem Cristo morrer.

» Quem não gosta de vinho não gosta de Deus.

» Quem vai à adega e não bebe é ronda que perde.

» Meia vida é a candeia, e o vinho a outra meia.

» Alho e vinho puro levam a porto seguro.

» Alegrai-vos, tripas, que ai vem o vinho.

» Nem Inverno sem capa nem Verão sem cabaça.

» Nuns lados se põe o ramo e noutros se bebe o vinho.

» Vinho e mouro são um tesouro.

» Vinho e linho só são frios um bocadinho.
 
» O vinho de Março fica no regaço, o de Abril vai ao barril, o de Maio é para o gaio.

» Maio frio e Junho quente: bom pão e vinho valente.

» Chuva por Santo Agostinho (24.5), é como se chovesse vinho.

» Chuva pelo S. João (24.6) bebe o vinho e come o pão.

» Até S. Pedro (29.6), tem o vinho medo.

» Pelo S. Tiago (25.7), pinta o bago.

» O S. Tiaguinho traz sempre o cabacinho.

» Pelo S. Lourenço (10.Cool, vai à vinha e enche o lenço.

» No dia de S. Martinho (11.11), fura-se o pipinho, mas quem for honrado já o deve ter furado.

» Depois de S. Martinho, bebe o vinho e deixa a água para o moinho.

» No dia de S. Martinho, assa as castanhas e molha-as com vinho.

» Pelo S. Martinho, todo o mosto é bom vinho.

» Leite e vinho fazem o velho menino.

» Azeite de cima, vinho do meio, mel do fundo.

» Vinho que baste, carne que farte.

» Vinho pela cor, pão pelo sabor.

» Mais pessoas se afogam no copo do que no mar.

» Onde alhos há, vinho haverá.

» Tonel mal lavado: vinho estragado.

» Nunca ao bêbedo faltou vinho nem à fiandeira linho.

» Bom vinho: má cabeça.

» Conselho de vinho faz errar o caminho.

» Foge do mau vizinho e do excesso de vinho.

» Quem do vinho é amigo cedo está perdido.

» Quem do vinho é amigo de si é inimigo.

» Quem muito bebe tarde ou nunca paga o que deve.

» Ninguém se embebeda com vinho da sua adega.

» Quem de vinho fala sede tem.

» Mel novo e vinho velho.

» Nuns lados se põe o ramo e noutros se bebe o vinho.




Ao frutos  

» Amêixoas e ameixoeiras Deus as tire das nossas leiras.

» Ano de ameixas: ano de queixas.

» As Castanhas apanham-se quando caem.

» Do Cerejo ao castanho, bem me avenho. Do castanho ao cerejo, mal me vejo.

» Favas, Maio as traz, Maio as leva.

» Ano de Feijões, ano de pulgas.

» Ano de Figo temporão, ano de pão.

» Figo caído, para o senhorio; figo quedo, para mim.

» Uns comem os figos, a outros rebenta-lhes a boca.

» No tempo dos figos, não há amigos.

» O figo, para ser bom, deve ter pescoço de enforcado, roupa de pobre e olho de viúva.

» Tinha um figo para dar ao meu amigo, mas vi-o, comi-o.

» A Laranja, de manhã, é oiro; à tarde, é prata; e, à noite, mata.

» Vale mais uma laranja, em Janeiro, que maçã, de madureiro.

» O Melão e a melancia só se conhecem depois de abertos.

» São mais as Nozes do que as vozes.

» Dá Deus as nozes a quem não tem dentes.

» Em ano de nozes, prepara a lenha para o Inverno.

» De pequenino, se torce o Pepino.

» Com teu amo não jogues as Pêras: ele come as maduras e dá-te as verdes.

» Muita parra e pouca Uva.



Ao pão


» Pão pela cor, vinho pelo sabor.

» Pão que veja, vinho que salte, queijo que chore.

» Pão que sobre, carne que baste, vinho que falte.

» Por carne, vinho e pão, deixa tudo o que te dão.

» Pão de centeio, melhor no ventre que no seio.

» Pão do vizinho tira o fastio.

» Pão de taberna não farta nem governa.

» Fraca é a padeira que diz mal do seu pão.

» Com pão, baila o cão se lho dão.

» Com pão e vinho, anda caminho.

» Não há mau pão com boa fome.

» Quando há fome, não há pão mal feito.

» Saboroso é o pão duro, quando não há mais nenhum.

» Vale mais pão duro que figo maduro.

» Vale mais pão duro que nenhum.

» Vale mais um pão com Deus que dois com o diabo.

» Vale mais pão hoje que galinha amanhã.

» Caldo sem pão só no inferno o dão.

» Lágrimas com pão ligeiras são.

» Quem dá o pão dá a criação.

» Quem dá o pão dá o pau.

» Quem quer o filho ladrão tira-lhe o pão.

» Fidalgo sem pão é vilão.

» De mau grão, mau pão.

» Em ano de pão, guarda pão.

» Onde há pão, há ratos.

» Casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão.

» Nem mesa sem pão, nem exército sem capitão.

» Fraca é a mesa que não deixa migalhas.

» Migalhas também é pão.



À água

» Água de nevão dá muito pão.

» Água de trovão, nuns lados, dá, noutros, não.

» Água mole, em pedra dura, tanto dá até que a fura.

» A água faz desabar as paredes.

» A água silenciosa é a mais perigosa.

» A água corre sempre para o mais baixo.

» A água é boa para lavar os pés.

» A água faz criar rãs na barriga.

» Água corrente não faz mal à gente.

» Água corrente esterco não consente.

» Água fervida tem mão na vida.

» Água detida faz mal à vida.

» Água parada: água estragada.

» Águas passadas não moem moinhos.

» Água o deu, água o levou.

» Ficou tudo em águas de bacalhau.

» Ninguém diga: desta água não beberei.

» Presunção e água benta: cada qual toma a que quer.

» A água tudo lava, menos as más línguas.

» Água de Janeiro mata o onzeneiro

» Água de Fevereiro vale muito dinheiro.

» No dia de S. Vicente, toda a água é quente.

» Água na Ascensão, das palhas faz grão.

» Água de Agosto: açafrão, mel e mosto.

» Água, da serra; sombra, da pedra.

» Água sem cor, sem cheiro e sem sabor


Provérbios e expressões sobre a água

Adagiário

» Setembro ou seca as fontes ou leva as pontes.

» Tantas vezes vai o cantarinho ao poço até que lá fica o pescoço (Vila Real de Santo António); tantas vezes vai a cantarinha ao poço até que lá fica o bescoço (Mexilhoeira); tantas vezes vai o cântaro á fonte que lá fica a asa (lugar de Santa Maria de Seia, concelho de Seia); tantas vezes vai o cantarinho à fonte até que se quebra (Florilégio, de B.Pereira p.122); tanta vez vai o cântaro à bica que lá fica (Columbeira).

» Águas passadas não movem moinhos.

» O falar é leve e o mar é de água.

» Livrar a água do capote.

» Ir tudo por água a baixo.

» Vai na água da cal (Oscar de Pratt, Locuções Petrificadas, coluna 113).

» Águas vivas (EP, III, terra de Miranda).


Paulo Caratão Soromenho, no seu trabalho O Mar na Língua Portuguesa, reuniu as seguintes expressões referentes a água:

» Água mole em pedra dura tanto dá até que fura.

» Não passar da (andar à) tona da água.

» Antes do mar, as águas.

» Deixar passar o aguaceiro.

» Quem ceia vinho almoça água (Elvas; informação de António Tomás Pires).

» Quem se lava logo pela manhã dá uma pofetada (= bofetada) no Pecado1 (Elvas; informação de A.T.P).

» Quem não poupa água nem lenha não poupa nada que tenha.

» «Ninguém lhe deitava água às mãos em fazer arroz doce» (Teixeira de Vasconcelos, O Prato de Arroz Doce, Colecção Secreta, I, 41).

» Pescar em águas turvas.

» Levar a água ao seu moinho (ou ao mar).

» Quem vê o céu na água vê os peixes nas árvores.

» Viver (ou estar) como peixe na água.

» Na água funda está o melhor peixe.

» Tempestade num copo de água.

» Uma gota de água no oceano.

» Desta água não beberei.

» Névoa ao alto, água em baixo.

» A água dos rios corre para o mar.

» Seguir nas águas de outrem.

» Crescer água na boca.

» Estar com a carrinha na água.

» Meter água

» Água em cestinho, amor de menino.

» Dar com os burrinhos na água.

» Andar com a proa debaixo de água.

» Ficar tudo em águas de bacalhau.
» Carga de água.

» Ir beber água ao rato.

» Se tens vento e depois água, deixa andar que não faz mágoa.

» Dar água pela barba.

» Água vai! …

» Ser de águas mornas.

» Levar água no bico.

» Marinheiro de água doce.

» Contra água e vento não há remos.


1 - Isto é, no Diabo.

Lusitana Cultura

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