O Porco no Rifoneiro Português

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O Porco no Rifoneiro Português

Mensagem por Lusitana Cultura em Sex Fev 06, 2015 11:39 am

1.- Economicamente, o porco é um tesouro, um bom negócio, uma exigência:

- Amigo velho, toucinho e vinho velho;
- Bácoro em Janeiro com seu pai vai ao fumeiro;
- Bácoro de meias não é meu;
- Bácoro fiado, bom Inverno e mau Verão;
- Com um pedaço de toucinho, leva-se longe um cão;
- Cozido sem toucinho e mesa sem vinho não valem um tostão;
- Dia de Santo André, quem não tem porco mata a porca, que é a mulher;
- Em Abril, mete o porquinho no covil;
- Em Abril, ronca o porco no covil;
- Em Janeiro, um porco ao sol outro ao fumeiro;
- Fiambre e fiado sabem bem e fazem mal;
- Morto por morto, antes a velha (a abelha) que o porco;
- No dia de Santo André, diz o porco: qui é, qui é!
- No dia de Santo André, vai à esquina e traz o porco pelo pé;
- No dia de São Martinho, mata o teu porco e bebe o teu vinho;
- No dia de São Tomé, pega o porco pelo pé; se ele disser que é, que é, diz-lhe que tempo é; e se ele disser que tal, que tal, guarda-o para o Natal;
- No dia de São Tomé, quem não tem porco mata a mulher;
- O boi e o leitão em Janeiro engordarão (criam rinhão);
- O leitão e os ovos, dos velhos, fazem novos;
- O porco, com sua licença, se tivesse asas era a melhor das aves; se tivesse barbatanas, o melhor dos peixes;
- Pelo Santo André, quem não tem reco mata o homem;
- Pelo S. Barnabé, faz o porquinho cué, cué; e se disser que não, diz-lhe que tempo já é;
- Pelo S. Lucas, mata o teu porco e tapa as tuas cubas;
- Pelo S. Martinho, mata o porquinho, prova o vinho e semeia o cebolinho;
- Pelo São Martinho, mata o teu porco, chega-te ao lume, assa castanhas e bebe o teu vinho;
- Porco, no São João, meão; se meão se achar, podes continuar; se mais de meão, acanha a ração;
- Porco que nasce em Abril, vai ao chambaril;
- Porco rabão nunca enganou o patrão;
- Porco safio, porco de brio;
- Porcos de Abril vão com a mãe ao chambaril;
- Quando estiveres morto, torna-te à ovelha e ao porco;
- Quando não há lombo, linguiça como;
- Quando o teu vizinho matar um porco, mata tu também nem que seja um tordo;
- Quando te derem o bacorinho, deita-lhe (bota-lhe) logo o baracinho;
- Quando te derem um porquinho, acode logo com o baracinho;
- Se matares um leitão, mostra-o ao juiz e dá-o ao escrivão;
- Se te derem um leitão, mostra-o ao juiz e dá-o ao escrivão;
- Tenhas porco e não tenhas olhos;



2.- O reco, na práxis, é um livro aberto, biológica e moralmente:

- Aí é que a porca torce o rabo;
- A mau bácoro, boa lande;
- Anel (arganel) de ouro em focinho de porco;
- Ao porco e ao genro, mostra-lhe a casa,  e ele virá cedo;
- A porca, apenas lavada, revolve-se na lama;
- A porco gordo, unta-se-lhe o rabo;
- Auxiliar ingratos é deitar pérolas a porcos;
- Babujado de cão faz o menino são, babujado de porco faz o menino morto;
- Branco ou preto, um porco é um porco;
- Cavalo de olho de porco, cachorro calado e homem de fala fina, sempre se relancina;
- Com que sonhas, porco? Com a bolota;
- De rabo de porco, nunca bom virote;
- Dia de barba, semana de porco, ano de casado;

- Em que pensas porco? Na bolota;
- Enquanto se capa, não se assobia;
- Foge do feio e do porcino, da botica e do remédio;
- Freio, focinho e bico, não fazem o homem rico;
- Homem e porco, só depois de morto;
- Já o rei é pouco para lhe guardar os porcos;
- Judeu e porco, algarvio e mouro, são quatro nações e oito canalhas;
- Mais dias há que linguiças;
- Mata o teu porco, se queres ver o teu corpo;
- Não convém ao porco contender com Minerva;
- Não é em pia grande que o porco come à vontade;
- Não quero bácoro com (nem o) chocalho;
- Negociante e porco, só depois de morto;
- Nem pernada de porco, nem rasgadura de um contra outro;
- No queijo e no pernil de toucinho, conhecerás o teu amigo;
- O bácoro, a fome e o frio, fazem grande arruído;
- O pior porco é que come a maior bolota (melhor lande);
- O que não vai no cerro, vai na banda;
- Porca capada já não se descapa;
- Porca com três meses, três semanas, três dias e três horas;
- Porca de muitos, bem comida, mal cevada;
- Porca ruiva, o que faz, isso cuida;
- Porco com frio e homens com vinho fazem grande arruído;
- Porco emprestado grunhe todo o ano;
- Porco fiado todo o ano grunhe;
- Porco fresco e vinho novo, cristão morto;
- Porco fresco e vinho novo, cristãozinho no cemitério;
- Porco sujo de lama quer sujar os outros;
- Quatro horas dorme o santo, 5 o que não é tanto, 6 o estudante, 7 o caminhante, 8 dorme o porco, e se dorme mais é porque está morto;

- Quem a porcos há medo, as moitas lhe roncam;
- Quem come focinho de porco é o desinço da loiça;
- Quem com farelos se mistura, maus porcos o comem;
- Quem com porcos se mistura, farelos come;
- Quem foi à missa perdeu a chouriça;
- Quem nasceu para porco nunca chega a porqueiro;
- Quem perdeu o porco, as pedras lhe roncam;
- Quem perfuma porco perde cheiro e juízo;
- Quem porcos busca, a cada moita lhe grunhem;
- Quem quer ver o seu corpo mata o seu porco;
- Queres conhecer o teu corpo? Mata o teu porco;
- Saltou a cabra à silva, e a porca à pocilga;
- Se queres conhecer (ver) teu corpo, abre um porco;
- Três horas dorme o santo, 3,5 o que não é tanto, 4 o estudante, 5 o extravagante, 6 o porco e 7 o morto;
- Vale mais ser porco que filho de Herodes;
- Vieram porcos do monte, lançaram-nos da nossa corte;


3.- O porco na culinária:

- Atar e pôr ao fumeiro, como o chouriço da preta;
- Cabrito e leitão de um mês, e cordeiro de três;
- Carne magra, de porco gordo;
- Fogo viste, linguiça!
- Leitão com vinho torna-se menino (tenrinho);
- Leitão de mês, cabrito de três, mulher de dezoito e homem de vinte e três;
- Leitão de mês, pato (marreco) de três;
- Lombo assado, lombo perdido;
- O leitão e o pato, do cutelo ao espeto;
- Ossos da suã (assuã), beiço untado (barba untada), barriga vã;
- Presunto, vinho e toucinho, os da Turquia são os melhores;
- Unhas de porco, poucas e bem cozidas;

Salvador Parente Ribeiro
Encontro «Saber Trás-os-Montes» - 10 e 11 de Outubro de 1996
Serviços de Cultura - Câmara Municipal de Vila Real

Lusitana Cultura

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